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A abordagem de ladrões para promover arrastões em condomínios está cada vez mais sofisticada. O mais recente aconteceu em um prédio dos Jardins, na zona oeste paulistana, no fim de abril, quando um integrante de uma quadrilha se passou por um interessado em visitar um imóvel e marcou com uma corretora. Ao ter a entrada autorizada, o assaltante rendeu o porteiro e a corretora, e os comparsas invadiram o local.

Além de refinar cada vez mais as estratégias para acessar os condomínios, os ladrões encontram locais cuja segurança tem procedimentos falhos ou não existe. Para reverter esse quadro, a tecnologia tornou-se uma aliada, oferecendo soluções que auxiliam não somente na gestão do condomínio, mas permitem elevar a segurança com o controle da entrada de visitantes e prestadores de serviços feito de forma remota por meio de aplicativos.

Essas funcionalidades fazem parte de sistemas ou aplicativos pagos que têm como foco a gestão geral de condomínios. Dentro deles, os moradores podem informar à portaria, entre outras ocorrências, sobre a chegada de visitantes. Por meio de convites enviados pelo morador por e-mail, WhatsApp, SMS ou pelo próprio sistema do aplicativo, o visitante faz o seu cadastro com dados como CPF, RG, placa do veículo, entre outros, e a partir daí tem seu nome na portaria com a confirmação de documentos, data e horário da visita. Mostrando seu documento, a entrada é autorizada. O porteiro pode ainda enviar notificações aos moradores sobre a chegada dos visitantes pelo celular.

sse cadastro completo, na visão de Rafael Lauand, sócio fundador da LAR.app, permite minimizar problemas. “Com esses dados – de quem entrou e quem autorizou a entrada –, caso haja alguma ocorrência, as pessoas poderão ser responsabilizadas pelo que houve no condomínio.” A ideia de Lauand é desenvolver também um aplicativo para o visitante, para se ter “o controle por quais áreas autorizadas ele circulou”.

Em casos de portaria com leitor de QR Code, esse acesso pode ser ainda mais seguro. O morador gera um código e o envia ao visitante. “Ao chegar ao local, é só ele passar o código pelo leitor e a entrada estará autorizada”, diz Walter Uvo, diretor geral da Minhaportaria.com, que hoje opera em mais de 160 condomínios em São Paulo.

Apesar de ser uma tecnologia ainda nova – o mercado deve crescer 10% neste ano, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistema Eletrônico de Segurança (Abese) –, a adoção de controles para aumentar a segurança deve tomar forma num futuro próximo. “A busca será por controles melhores com custos menores”, enfatiza Welder Peçanha, CEO da Gocil, empresa especializada em segurança.

Os aplicativos ajudam com a segurança, mas nasceram com a missão de facilitar a vida em condomínio. “Esse cadastro facilita a entrada do visitante e evita filas”, explica Johnnyson Vicente de Araújo, CEO do app Aptohome, há dois anos no mercado brasileiro e já com mais de 5 mil usuários.

“Esse tipo de solução otimiza as funções do porteiro, principalmente em horários de pico, reduzindo erros no cadastro dos visitantes”, enfatiza Leonardo Dominguez Dias, sócio-diretor da Evo Systems, desenvolvedora do sistema Go Visit.

Para Judas Tadeu Faustino, síndico em Osasco, onde o controle de visitantes foi implantado há cerca de seis meses, o sistema trouxe mais agilidade e maior sensação de segurança.

Segurança não pode fazer papel de porteiro

A tecnologia sozinha não é sinônimo de sucesso na segurança do condomínio. De acordo com Ellen Pompeu, diretora executiva da ICTS Security, as pessoas desempenham papel fundamental no processo. “É um trinômio que envolve pessoas, tecnologia e procedimentos.”

Para a especialista, criar um manual de procedimentos de segurança e mantê-lo atualizado não envolve grandes investimentos. “Apenas dedicação e conhecimento sobre as vulnerabilidades do local, além das novas formas de assalto.” Conhecer bem os funcionários e mantê-los treinados, com seus papéis bem definidos, reduzem os riscos, diz Ellen. “O porteiro tem de cuidar da portaria, do acesso das pessoas. O segurança não pode fazer o papel de concierge.”

Na visão do advogado Fernando Capano, especialista em segurança pública, o tema tem de fazer parte das assembleias para conscientizar os condôminos “de que eles não estão totalmente seguros por viverem em condomínio”. Para ele, ações preventivas podem ajudar, como investir em câmeras que gravem ininterruptamente o fluxo em áreas vulneráveis e criar uma “vaga do pânico”, na qual o morador estacione em caso de sequestro ou ameaça.

Fonte: Estadão